A Última Estrofe

Gal Costa · Gal De Tantos Amores [2001]

(Cândido das Neves Índio)



A noite estava assim enluarada

Quando a voz já bem cansada

Eu ouvi de um trovador

Nos versos que vibravam de harmonia

Ele em lágrimas dizia

Da saudade de um amor



Falava de um beijo apaixonado

De um amor desesperado

Que tão cedo teve fim

E desses gritos de tormento

Eu guardei no pensamento

Uma estrofe que era assim



Lua, vinha perto a madrugada

Quando em ânsias minha amada

Nos meus braços desmaiou

E o beijo do pecado

O teu véu estrelejado

A luzir glorificou



Lua, hoje eu vivo tão sozinho

Ao relento, sem carinho

Na esperança mais atroz

De que cantando em noite linda

Esta ingrata volte ainda

Escutando minha voz



A estrofe derradeira, merencória

Revelava toda história

De um amor que não morreu

E a lua que rondava a natureza

Solidária com a tristeza

Entre as nuvens se escondeu



Cantor, que assim falas a lua

Minha história é igual à tua

Meu amor também fugiu

Disse eu em ais convulsos

E ele então entre soluços

Toda estrofe repetiu

Lua

Vinha perto a madrugada...