O Revólver Do Meu Sonho

Gal Costa · Profana [1984]

(Gilberto Gil, Waly Salomão, Roberto Frejat)



Você, por acaso, esqueceu a buzina do vapor barato?

Apagou a fita daquela canção

A Casa do Sol Nascente?

Enfiou a tesoura na transação?

Passou a gilete na ligação?

Meteu a borracha no traço de união

Ocidente-Oriente?



Passado-futuro-presente

Fundido e confundido na minha mente

A todo o vapor

Barato era tudo muito mais

As Curvas da Estrada de Santos

O motor fervia

O carro rugia, meu amor

O coração batia tão feroz

Mas o mundo corria muito mais veloz que nós

Mais veloz que nós



O revólver do meu sonho atirava

Atirava no que via

Mas não matava o desejo

Do que ainda não existia



Interfone, blitz, joaninha, computador

O futuro comum de hoje em dia

Que eu, cigana, já pressentia

Mas você não percebia

No espelho retrovisor

O revólver dos Beatles disparava nas paradas

Me assustava, me encantava e movia

E eu ia, e eu ia, e eu ia

E recocheteava

Arembepe, Woodstock, píer, verão da Bahia

Arembepe, Woodstock, píer, verão da Bahia



O revólver do meu sonho atirava

Atirava no que via

Mas não matava o desejo

Do que ainda não existia