O BêBado E A Equilibrista

Elis Regina · Warner 30 Anos [2008]

Caía

A tarde feito um viaduto

E um bêbado trajando luto

Me lembrou Carlitos



A lua

Tal qual a dona dum bordel

Pedia a cada estrela fria

Um brilho de aluguel



E nuvens

Lá no mata-borrão do céu

Chupavam manchas torturadas

Que sufoco!



Louco,

O bêbado com chapéu coco

Fazia irreverências mil

Pra noite do Brasil

Meu Brasil



Que sonha

Com a volta do irmão do Henfil

Com tanta gente que partiu

Num rabo de foguete



Chora a nossa pátria mãe gentil

Choram Marias e Clarisses

No solo do Brasil



Mas sei

Que uma dor assim pungente

Não há de ser inutilmente

A esperança dança

Na corda bamba de sombrinha

E em cada passo dessa linha

Pode se machucar



Azar

A esperança equilibrista

Sabe que o show de todo artista

Tem que continuar