Foi Deus
Amalia Rodrigues · Abbey Road Recordings [2004]
Por que canto o fado
Neste tom magoado
De dor e de pranto
E neste tormento
Todo o sofrimento
Eu sinto que a alma
Cá dentro se acalma
Nos versos que canto
Foi deus
Que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas
Deu oiro ao sol
E prata ao luar
Foi deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
E pôs as estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu o luto as andorinhas
Ai, e deu-me esta voz a mim
Se canto
Não sei o que canto
Misto de ventura
Saudade, ternura
E talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando
Se tem um desgosto
E o pranto no rosto
Nos deixa melhor
Foi deus
Que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul às ondas do mar
Foi deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores à primavera
Ai!, e deu-me esta voz a mim.
Foi Deus
Amalia Rodrigues' 'Foi Deus' stands as a poignant testament to the enduring power of Fado, a genre rooted in the melancholic rhythms of Lisbon. Recorded for the 2004 compilation 'Abbey Road Recordings,' this track captures the essence of her late-career artistry, blending traditional vocal techniques with a refined, intimate delivery. The song reflects the deep emotional resonance characteristic of Fado, exploring themes of fate and divine intervention through its evocative melody and Rodrigues' signature phrasing. As a key component of her extensive discography, the recording highlights her ability to convey profound narrative depth without relying on explicit lyrical exposition, allowing the music itself to tell the story of resilience and spiritual acceptance.

