Marujo Português

Amalia Rodrigues · Compilação - Vol. 1 - Ai Mouraria [1998]

Quando ele passa, o marujo português

Não anda, passa a bailar, como ao sabor das marés

E quando se jinga, põe tal jeito, faz tal proa

Só para que se não distinga

Se é corpo humano ou canoa

Chega a Lisboa, salta do barco num salto

Vai parar à Madragoa ou então ao Bairro Alto

Entra em Alfama e faz de Alfama o convés

Há sempre um Vasco da Gama num marujo portugués



Quando ele passa com seu alcache vistoso

Tráz sempre pedras de sal no olhar malicioso

Põe com malicia a sua boina maruja

Mas se inventa uma carícia, não há mulher que lhe fuja

Uma madeixa de cabelo descomposta

Pode até ser a fateixa de que uma varina gosta

Sempre que passa um marujo português

Passa o mar numa ameaça de carinhosas marés



Sempre que passa um marujo português

Passa o mar numa ameaça de carinhosas marés