Madrugada De Alfama

Amalia Rodrigues · Art Of Amalia Rodrigues 2 [2005]

Mora num beco de Alfama

E chamam-lhe a madrugada

Mas ela de tão estouvada

Nem sabe como se chama.

Mora numa água-furtada,

Que é mais alta de Alfama

A que o sol primeiro inflama

Quando acorda a madrugada.



Nem mesmo na Madragoa

Ninguém compete com ela,

Que do alto da janela

Tão cedo beija Lisboa.

E a sua colcha amarela

Faz inveja à Madragoa:

Madragoa não perdoa

Que madruguem mais do que ela.



Mora num beco de Alfama

E chamam-lhe a madrugada,

São mastros de luz doirada

Os ferros da sua cama.

E a sua colcha amarela

A brilhar sobre Lisboa

É como estátua de proa

Que anuncia a caravela...



David Mourão Ferreira

Madrugada De Alfama

Amalia Rodrigues delivers a hauntingly intimate performance on 'Madrugada De Alfama,' a track that exemplifies her mastery of Fado. Recorded for the 2005 compilation 'Art Of Amalia Rodrigues 2,' the song showcases her distinctive vocal style, characterized by a raw, emotional delivery that captures the melancholic essence of the genre. As one of Portugal's most celebrated Fado singers, Rodrigues transformed the traditional form into a vehicle for profound personal expression, often blending classical training with the gritty authenticity of Lisbon's streets. This recording highlights her ability to convey deep sorrow and longing without relying on dramatic gestures, instead letting the music and her voice speak directly to the listener. The piece stands as a testament to her enduring legacy in preserving and evolving the art of Fado.